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Para se saber qualquer coisa não há nada melhor do que perguntar! E foi exactamente isso que eu fiz! Queria saber se existiam muitas diferenças na forma como o naturismo é vivido e sentido em locais tão distantes como a América do Sul e a Europa, neste caso em concreto no Brasil e em Itália. Tive a excelente colaboração de dois jovens, a Fernanda de 26 anos, que me respondeu do Brasil e o Roberto, de 31 anos que me respondeu de Itália. Fernanda teve ouviu falar pela primeira vez sobre Naturismo na televisão aos 14 anos e a partir daí interessou-se e procurou saber mais sobre o assunto. Roberto teve um primeiro contacto mais “visual” com o Naturismo, pois foi numas férias em Sardenha com a família, que depois de uma grande caminhada pela praia, encontrou duas famílias holandesas naturistas que alegremente andavam por ali todos nús. Ficou curioso, quis saber mais!
Ambos demoraram alguns anos entre o terem conhecimento do Naturismo e o praticarem Naturismo. No caso da Fernanda, foi menos tempo, cerca de 8 anos, mas ela diz que sempre gostou de tomar banho nua no rio da fazenda do tio, enquanto que o Roberto não teve estas “facilidades” e apenas teve um contacto pessoal e directo com o Naturismo, 10 anos depois de ter visto naturistas pela primeira vez numa praia em Sardenha quando tinha 15 anos. Em relação à companhia, ambos costumam praticar naturismo com os companheiros, mas a Fernanda, também pelo facto de viver num país mais quente, refere que é frequente encontrar-se com amigos e as suas famílias em praias naturistas. Para o Roberto isso já é uma situação mais complicada, pois nem a sua família, nem muitos dos seus amigos são naturistas. Enquanto Fernanda diz que pratica naturismo em casa, com a toda a família, Roberto diz que para ele isso seria impensável. Tanto a Fernanda como o Roberto referem que apenas poucos dos seus amigos mais íntimos sabem que são naturistas, mas por diferentes razões. Para o Roberto, inserido numa região de Itália em que as mentalidades são fortemente conservadoras, é difícil partilhar com as pessoas que o rodeiam o facto de gostar de praticar nudismo social, num ambiente familiar e natural, e diz que até já perdeu bons amigos que não compreenderam esta sua forma de estar. Ao princípio, Roberto diz que sentia vontade de contar aos amigos e de os trazer consigo, mas agora apenas fala sobre o assunto com aqueles que demonstram algum tipo de interesse. Preferiu “guardar” só para si e transformar o naturismo num segredo seu, para não ver este conceito deturpado e mal compreendido pelas mentalidades menos abertas. Em relação a Fernanda, ela optou por não tornar demasiado público o facto de ser naturista por questões meramente profissionais, pois é professora e o facto de praticar nudez social podia não ser bem encarado pelos pais e mal compreendido pelas crianças. Quando questionados se já tinham conseguido fazer com que alguém aderisse ao naturismo, a Fernanda refere que para ela não foi muito difícil convencer os amigos e que eles se tornassem naturistas convictos, e em relação aos mais jovens, defende que os principais argumentos a serem apresentados para que eles adiram ao naturismo, é o facto de aprenderem que o corpo humano é igual em todos os seres humanos, que passa pelo mesmo tipo de transformações ao longo da vida e que todos passamos por várias fases que têm que ser encaradas com naturalidade. Roberto por seu lado, apenas conseguiu mostrar e fazer compreender todos os benefícios do naturismo a um casal amigo, que agora é naturista, mas pratica muito mais no estrangeiro do que em Itália. Em relação aos jovens, e porque sentiu que foi o que lhe fez falta, Roberto pensa que se lhes deve explicar que no meio naturista todos os corpos são aceites naturalmente e que com as suas diferenças e semelhanças, todos somos respeitados e não julgados por termos ou não as “formas” que o mundo material nos impõe. Falando das diferenças homens/mulheres em relação à forma como vivem o naturismo, ambos acham que as mulheres vivem o naturismo de uma forma mais intensa e mais séria. Fernanda diz que as mulheres são sempre mais relutantes em relação aos homens, a entrar numa “onda” naturista, mas que depois de sentirem o naturismo a sério, que as mulheres se entregam mais e vivem mais intensamente a questão da sua própria nudez. Roberto é exactamente da mesma opinião, pois refere que sendo as mulheres menos aventureiras nas questões de se despirem em frente aos outros, quando decidem fazê-lo, conseguem fazê-lo com mais naturalidade que os homens, porque estes, mesmo sem serem naturistas, podem estar semi-nús em diversos locais sem que exista alguma tipo de censura social. Fazendo uma comparação entre o Naturismo em Itália e no Brasil, penso que o Brasil está neste momento, como diz a Fernanda, a atravessar “uma revolução” francamente positiva nos assuntos relacionados com o Naturismo, pois começou-se agora a falar do assunto de uma forma séria e a ser divulgado nos media segundo uma abordagem mais consistente e respeitosa. Em relação a Itália e pelo que me apercebi nas várias conversas que tive com o Roberto, na região onde ele vive, ainda existe muito o tabú da nudez social, que as mentalidades ainda não estão suficientemente “disponíveis” para compreender um conceito tão básico como é a própria nudez e o saber partilhá-la num ambiente familiar e saudável. Por último, deixo aqui uma frase de cada um dos nossos colaboradores que mostra o significado que o Naturismo tem para eles: Fernanda: “O Naturismo para mim é a concretização da liberdade que todo o ser humano procura. Me sinto mais próxima às pessoas e muito mais feliz.” Roberto: “Quando estou nú, sinto-me invencível pois estou em comunhão com a Natureza, faço parte do Universo, sem filtros!” Liliana |