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Acampamento Mundial de Jovens Naturistas - Almanat - Espanha - 29-Julho a 2-Agosto

Aqui fica um pequeno relato da viagem que o AlexMol e o Pedro Miguel fizeram a Almanat para participar no Acampamento Internacional de Jovens Naturistas.

Sábado, 29-Julho-2006

Adivinhava-se um dia quente por isso a viagem para Almanat começou por volta das 09h30.
O percurso Tavira-Sevilla decorreu sem quaisquer problemas. Já na chegada a Málaga as coisas complicaram-se um pouco, era o início de férias para muitos e as estradas para a costa sul estavam congestionadas.

Depois de passar Málaga seguimos em direcção a Almayate.
Não sabíamos onde era o parque pelo que andámos uns quantos kilometros para trás à procura do parque, quase a chegar a Torre Del Mar vimos a placa que indicava do camping naturista mas falhámos a saída.
Mais uma voltinha e finalmente chegámos a Almanat!

Dirigimo-nos então à recepção. Tudo parecia semelhante a um vulgar parque de campismo, até que entrou alguém na recepção usando apenas chinelos. Estávamos no local certo!

Perdemos bastante tempo na recepção pois estava muita gente e o camping praticamente esgotado. Quase a finalizar o nosso registo eis que chegam Laurindo e esposa, Ricardo e Renato!

Entrámos então no parque e dirigimo-nos ao nosso lugar. Descobrimos então que já estava ocupado por tendas pertencentes ao acampamento de jovens da INF/FNI. Como não havia mais lugares falámos com um dos responsáveis da organização que ficou de nos arranjar um cantinho.
Enquanto o lugar para as tendas não aparecia fomos conhecer o parque, a praia e comer qualquer coisa pois já eram 4 da tarde.

Para o AlexMol, que nunca tinha estado num local naturista com tanta gente, o ambiente do parque e da praia foi algo que sentiu pela primeira vez. No parque o ambiente é extremamente familiar, toda a gente anda à vontade, as crianças brincam livre e alegremente e não se vê ninguém mal disposto ou com stress.
A praia estava completamente cheia e não se via ninguém com roupa! Ambiente espectacular!
Só é pena ter calhaus em vez de areia...

A fome apertava e sentámo-nos na explanada do restaurante, que fica entre o parque de campismo e a praia. O atendimento foi lento mas lá conseguimos pedir 2 saladas Almanat que souberam mesmo bem!

No restaurante, placas sinaléticas em várias línguas anunciavam "Zona nudista, proibido roupa, não serão servidas bebidas ou comida a quem se apresentar com roupa".
Assistimos então a uma cena absolutamente surreal:
O restaurante estava cheio de gente despida e apenas os empregados usavam farda, a praia, mesmo ali ao lado estava a abarrotar de gente nua e quem vem ter connosco?
Um marroquino a vender vestidos de senhora!
Perguntámo-nos se aquilo estava mesmo a acontecer...

Voltámos ao parque e, já com lugar reservado para nós, tratámos de montar as tendas.
A tarefa de montagem das tendas revelou-se fácil para um e difícil para outro.
A super tenda de 4€, sim, quatro euros, recém comprada pelo Pedro vinha com um defeito que só a engenharia portuguesa permitiu resolver, além disso o chão tem bastante pedra e não levámos martelo. O desespero chegou a apoderar-se do Pedro que proferiu "O campismo não é para mim"

Já o AlexMol, que está mais habituado a condições difíceis (quem acampa nos festivais de Verão acampa em qualquer lado) deu uma ajuda ao Pedro e montou a sua tenda com calma e sem pressas.

Temos também de agradecer ao Laurindo por nos ter emprestado uma bandeira de Portugal que assinalou o nosso lugar durante a nossa estadia.

Cansados e transpirados foi então altura de tomar um belo duche!
O balneários são naturalmente mistos e possuem cubículos fechados para os duches quentes e sanitas.

Chegou a hora de jantar e ficámos então a saber como funciona a comida no acampamento de jovens.
O pequeno-almoço e almoço são self-service, cada um vai ao frigorífico e cozinha do acampamento e tira o que quiser. Ao jantar há uma equipa de cozinheiros que faz o jantar para todos e depois lava a loiça do dia.
O Ricardo e Renato acompanharam-nos no jantar onde neste primeiro dia tivemos direito a salada e massa, que até estavam razoáveis. Também foram feitos ovos mexidos mas, dada a gula de alguns, não os chegámos a provar. Foram ainda servidas batatas mal cozidas com molho.
Obviamente como portugueses não ficámos muito satisfeitos... mas pronto, num acampamento de jovens desculpa-se que alguns não tenham muito jeito para cozinhar.

Depois de jantar ficámos um pouco à conversa com os participantes. Estavam presentes jovens da Áustria, Alemanha, Espanha, Canadá e Inglaterra.
Entre várias conversas ficámos a saber como o naturismo é encarado em vários países.

Foi então altura de ir dormir pois o cansaço já tomava conta de nós.

Domingo, 30-Julho-2006

O AlexMol acordou cedo e depois de um belo duche decidiu dar uma volta pelo parque e pela praia.
Esta é uma boa hora para fotografar pois ainda estão quase todos a dormir.
Aqui ficam algumas imagens do parque:

O recanto verde, muito agradável, onde está a porta de acesso do parque à praia (só abre com cartão magnético fornecido aos campistas).

A praia, manhã cedo

O AlexMol voltou então ao acampamento e acordou o Pedro para irem tomar o pequeno-almoço.
Havia leite, torradas e várias coisas para pôr no pão. Passámos pela autocaravana do Laurindo e ficámos um pouco na conversa. Ficámos a saber que por lá estavam mais famílias portuguesas, que viemos a conhecer mais tarde e que são 5 estrelas!

A actividade programada para esta manhã era o tiro com arco. O pessoal do acampamento jovem e um número significativo de crianças e jovens que estavam no parque acompanharam o animador de serviço até à zona de jogos. Lá aprendemos o bê-à-bá do tiro com arco e tivemos direito a disparar 3 setas. Enquanto não chegava a nossa vez entretemo-nos com uns remates à baliza e um disco voador.
O ambiente era muito saudável, crianças e jovens, de ambos os sexos, a conviverem e praticarem actividades ao ar livre.
Chegou a nossa vez e não nos saímos mal, pelo menos acertámos no alvo!

Depois do tiro com arco foi altura de tomar um cafézinho na esplanada do parque e conhecer a sala de convívio onde existe uma mesa de snooker e onde são realizadas actividades de animação.

O almoço consistiu em sandes variadas.
O Ricardo e Renato tiveram direito a comida mais substancial pois colaram-se aos pais.

Como não havia programa para a tarde estivemos os 4 (Alex, Pedro, Ricardo e Renato), na mais bela tradição portuguesa, a jogar à sueca até que o sol baixasse um pouco.

Foi então altura de ir até à piscina! A piscina é muito fixe, sempre com um bom ambiente!
O animador do parque tratou de organizar um torneio de natação por faixas etárias entre os presentes na piscina proporcionando momentos de muita alegria e diversão!
Por seu lado os jovens do acampamento encarregavam-se, de vez em quando, de vazar litros de água da piscina com saltos tipo "bomba".

Estivemos também na praia onde demos uns belos mergulhos e nadámos um bom bocado. O mar por lá é sempre calmo e a água quente.

Fazia falta ajuda para preparar o jantar e AlexMol e Renato ofereceram-se para ajudar.
Mal sabíamos no que nos estávamos a meter... O cozinheiro nomeado nunca deve ter cozinhado na vida e pouco sabia fazer além da salada... além disso não havia ingredientes pelo que nos tivemos que desenrascar com o que encontrámos. Se não fosse a equipa Alex e Renato, não sabemos o que teria sido o jantar...
Acabámos por fazer, alem da salada, uma massada com legumes e molho de tomate. Não ficou muito bom, mas esteve um pouco melhor que o dia anterior... pelo menos não ficou nada mal cozido.
Voluntariamo-nos para fazer um jantar português, leia-se COMIDA DECENTE, o qual ficou agendado para o dia 1.

Depois de jantar tivemos oportunidade de mostrar alguns vídeos naturistas ao pessoal, incluindo a participação do Pedro no Curto-Circuito.

Aos poucos fomos ficando a conhecer o pessoal e a personalidade de cada um. Como em qualquer acampamento de verão jovens, sejam naturistas ou não, há sempre pessoas que se dão melhor umas com as outras e até algumas amizades coloridas que se formam...

Segunda, 31-Julho-2006

Desta vez o Pedro também se levantou cedo e fomos dar um passeio na praia.
O amanhecer e o anoitecer são as melhores alturas para estar na praia, a temperatura está agradável e o sol baixo proporciona um bela vista sobre as montanhas que circundam a costa.

Depois de uns mergulhos e braçadas voltámos ao parque para o pequeno-almoço.
As refeições são sempre demoradas pois são a ocasião propícia para ficar na conversa e trocar experiências e ideias. Embora nem todos os ideais do naturismo estejam presentes, de uma forma visível, na atitude de cada um há certamente um que se destaca, o respeito pelos outros. Com jovens de origens tão diferentes houve sempre um espírito de tolerância e convívio saudável!

Durante a manhã assistimos a uma demonstração de massagens e alguns tiveram oportunidade de praticar.

Para o almoço voltámos ao restaurante da praia e às saladas Almanat, das quais ficámos fãs no dia de chegada.

Partilhamos aqui também convosco outra visão inédita que tivemos durante a nossa estadia. Numa das idas à praia vimos uma mulher, naturista, a pescar com cana!
Se já é raro ver uma mulher a pescar então uma a fazê-lo ao natural...

Deu-se então um acontecimento triste... depois de mais de 48 sem roupa tivemos que nos vestir Sad
O parque não dispõe de multibanco pelo que tivemos que ir até Torre Del Mar (a cidade mais próxima, a cerca de 3km de distância) para levantar algum dinheiro.
Aproveitámos para dar uma pequena volta pela cidade e voltámos para o parque.

Nova incursão na piscina, onde estavam algumas famílias portuguesas com os filhos.
Um deles, que foi baptizado de Pestinha, simpatizou com o AlexMol que não teve remédio senão aturar as suas traquinices.

Chegaram as 6 da tarde e fomos todos convocados para a sala de convívio.
Ia passar no primeiro canal da TV espanhola uma reportagem sobre o primeiro pântano naturista em Espanha, com a participação de alguns dos jovens que estavam no acampamento.
O programa começou atrasado e, como é habitual, deixou as reportagens mais interessantes para o fim. Apanhámos uma seca a ver reportagens e até tivemos tempo para nos mudarmos para a sala de cinema onde pudemos ver a reportagem no écran grande.

Houve ainda tempo para ir até à praia dar um mergulho onde encontrámos novamente um grupo de portugueses. Desde já ficou combinado que no dia seguinte, ao almoço, iríamos ter sardinhada!

Desta vez o jantar até estava bom, embora nem todos tenham conseguido apanhar um bocadinho do lombo com cogumelos. Já o arroz com ervilhas que acompanhava estava estranho, no meio do arroz cozido estava arroz quase cru... é fácil adivinhar o que terá acontecido.

Depois de jantar foi altura para a delegação da JPN se reunir e delinear o programa para o encontro nacional de jovens naturistas 2006.

Neste dia alguns estavam a planear sair à noite e o Pedro, com grande esforço, lá aceitou ir representar Portugal Smile  
Sobre a night de Torre Del Mar o Pedro, se assim o entender, fará a reportagem pois os restantes ficaram um bocado na conversa e foram dormir.

 Terça, 1-Agosto-2006

A manhã não correu muito bem para o Alex... pois teve que se vestir logo de manhã para ajudar o Laurindo nas compras para a sardinhada, ainda por cima o hipermercado só abria às 10 e chegaram pouco depois das 9.
Chegado das compras AlexMol tornou a sair, mas desta vez acompanhado da Sieglinde (da INF/FNI) e do Pedro para comprarem os ingredientes para o jantar que ia ser cozinhado pelos portugueses.

De volta ao parque pudemos regressar ao estado natural e refrescarmo-nos na piscina antes do almoço.

Temos de agradecer ao Laurindo e família pela bela sardinhada!

Curiosamente no dia em planeámos a sardinhada havia almoço colectivo no acampamento.
Vestimo-nos e, no caminho a pé para Torre Del Mar parámos num restaurante onde foi servido Fideuas, um prato típico espanhol.
Claro que os portugueses, com a barriga cheia de sardinhas, não chegaram a provar, mas foram bons momentos de convívio.

Depois de todos estarem de barriga cheia o grupo seguiu a pé até à cidade.
Apanhámos o autocarro que nos levaria às grutas de Nerja. A viagem foi
bastante animada (o Pedro não confirma esta parte porque esteve a dormir, tal foi a noitada)!

As grutas de Nerja são realmente muito bonitas e têm uma particularidade, uma das "salas" é muito grande, tem inclusive um auditório lá dentro.

Regressados da visita foi então altura dos portugueses meterem mãos-à-obra e fazerem um jantar decente.
A ideia era fazer um bacalhau à braz, mas como não havia bacalhau em condições no supermercado optámos por um atum à braz.
Alex, Pedro, Ricardo e Renato foram os cozinheiros e tudo correu bem. Desiludam-se aqueles que acham que os homens não sabem cozinhar e que cozinhar sem roupa não dá jeito ou é perigoso!
Servido o atum à braz acompanhado de salada bem temperada seguiu-se o festim.. a comida desapareceu num instante. Mas tivemos a satisfação de ter sido considerado o melhor jantar até à data e até tivemos direito a aplausos.
A parte de lavar a loiça é que já não teve tanta piada...

Como era a nossa última noite o pessoal decidiu fazer uma pequena festa na praia.
Afastámo-nos um pouco do parque para não incomodar e levámos toalhas, bebidas, luzes, música e outros objectos. Os friorentos levaram roupa mas o AlexMol preferiu ir ao natural.
O nosso companheiro inglês iluminou-nos com malabarismo com fogo e o Alex (ganda maluco) aproveitou para dar um mergulho no mar, à luz da Lua.

Quarta, 2-Agosto-2006

O dia de partida começou com a desmontagem das tendas.
Seguiu-se o pequeno almoço com o grupo onde aproveitámos para trocar alguns contactos.
As despedidas custam sempre. Mesmo durante a nossa curta estadia criaram-se amizades.
Ficaram ainda no ar possíveis planos para encontros ibéricos de jovens naturistas.

Tal como no primeiro dia, quando à chegada vimos alguém a entrar sem roupa na recepção, desta vez fomos sem roupa tratar das formalidades. Foi curioso porque estavam a registar-se mais portugueses que vinham passar férias ali.

A viagem de regresso correu sem surpresas e por volta das 16h estávamos de regresso a Tavira.

Ficam as saudades de uns dias passados num ambiente espectacular: livre, fraterno, familiar, na companhia de pessoal muito fixe.

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